Redação do Enem: 5 deslizes que podem custar pontos preciosos na nota


No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a redação segue como uma das provas mais estratégicas para os candidatos e uma das mais suscetíveis a perdas de pontos por falhas evitáveis. Começar a escrever sem planejamento, repetir argumentos sem aprofundamento, utilizar ideias semelhantes ao longo do texto, recorrer a modelos prontos e ignorar os textos motivadores estão entre os erros que podem comprometer a clareza, a coerência e a progressão das ideias.

Segundo Mara Coura Linhares, autora de Redação do Fibonacci Sistema de Ensino na Cogna Educação, esses deslizes costumam prejudicar a construção do projeto de texto e a defesa de um ponto de vista, dois aspectos decisivos para uma redação dissertativo-argumentativa consistente.

Abaixo, confira os principais erros que podem prejudicar a nota da sua redação e como evitá-los.

1. Não planejar o texto antes de começar

Começar a escrever sem definir previamente a tese, os argumentos, a relação entre eles e a proposta de intervenção é um dos principais erros apontados pela educadora. “Ainda muitos estudantes escrevem aleatoriamente, sem, antes, esboçar uma visão geral do texto, da tese, dos argumentos, da relação entre eles, da sequência lógica entre as ideias e da proposta de intervenção no caso do Enem”, explica.

A falta de planejamento pode comprometer de forma significativa a pontuação no exame. “Se o projeto de texto não for estratégico, ou seja, se a redação não apresentar tese e argumentos de forma definida, com consistência, relação lógica, adequada interpretação e progressão das ideias, a redação sofrerá penalizações de forma significativa”, afirma.

2. Repetir os argumentos sem desenvolver as ideias

Outro problema frequente está no desenvolvimento da redação. “É comum encontrar, no desenvolvimento do texto, a simples repetição dos argumentos apresentados na introdução sem que haja desdobramentos”, aponta Mara Coura Linhares.

Entre os elementos que podem ajudar no aprofundamento da argumentação, estão uma visão crítica sobre as raízes do problema, exemplos que deem consistência aos argumentos e consequências que evidenciem a questão central. “O estudante precisa compreender que a dissertação argumentativa não é a simples exposição de ideias, mas a defesa de um ponto de vista”, explica.

Fotografia de uma jovem de cabelos longos castanhos, com fones de ouvido rosa e suéter bege, escrevendo concentrada em um caderno ao lado de um notebook. Ao fundo, há uma estante cheia de livros coloridos.
Diversificar os argumentos fortalece a coerência da redação do Enem (Imagem: fizkes – Shutterstock)

3. Usar dois argumentos que apresentam a mesma ideia

Escolher dois argumentos diferentes apenas na forma, mas iguais em conteúdo, também pode prejudicar a construção do texto. Segundo Mara Coura Linhares, é comum que os estudantes escolham “dois argumentos, normalmente causas do problema, idênticos, porém com palavras diferentes”.

Quando dois argumentos apresentam o mesmo conteúdo, ainda que com palavras diferentes, a redação tende a desenvolver uma única linha de raciocínio do início ao fim. O resultado é um texto em “formato circular”, com prejuízo à progressão das ideias e à coerência.

4. Decorar modelos prontos e citações coringas

Outro erro recorrente é tentar encaixar modelos decorados no tema proposto, sem avaliar se o repertório escolhido realmente dialoga com a discussão. “Ao tentar adaptar o tema ao modelo, as ideias ficam sem sentido e o repertório sem conexão com o tema”, alerta Mara Coura Linhares.

A especialista também chama atenção para o uso de repertórios filosóficos decorados sem que o estudante conheça de fato os conceitos apresentados pelo autor. Nesses casos, a relação entre as ideias pode ficar contraditória ou o exemplo utilizado pode não ter relação com o repertório.

Por isso, não basta memorizar referências. “Quanto ao repertório, não basta decorá-lo, é preciso estudá-lo, ver exemplos de sua aplicação prática”, explica. Também é importante compreender qual função aquele repertório terá na construção do texto e deixar essa relação clara na redação.

5. Não ler os textos motivadores

Os textos motivadores são fundamentais para a compreensão do foco temático da proposta. Por isso, ignorar essa etapa pode comprometer a interpretação e o desenvolvimento da redação. “O texto motivador é essencial para a compreensão do foco temático”, afirma Mara Coura Linhares.

Segundo ela, a ausência de leitura pode levar às chamadas redações tangentes, nas quais o estudante aborda apenas parte do que foi solicitado – uma falha com alto potencial de impacto na nota.

Por Vitória João