Redação do Enem 2026: nova cartilha explica como evitar perda de pontos

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou na sexta-feira (18) a Cartilha do Participante – A Redação do Enem 2026, material que detalha os critérios utilizados na correção da redação e apresenta exemplos de textos do Enem 2025 comentados. A prova continua exigindo um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, com defesa de um ponto de vista, argumentação e proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. 

Para Silvia Maria Brandão, especialista em Soluções Educacionais na Arco Educação e doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp, mais do que decorar uma estrutura, o estudante precisa compreender o que efetivamente será observado pelo avaliador. 

“Conhecer as cinco competências é importante porque permite que o estudante transforme a redação em um processo de tomada de decisão. Antes de escrever, ele precisa entender o tema, definir sua tese, selecionar argumentos pertinentes e pensar em como organizar essas ideias. A estrutura ajuda, mas não substitui a qualidade de uma argumentação autoral”, explica.

A seguir, confira o que é avaliado em cada competência e cinco pontos essenciais para concentrar os estudos nessa reta final:

Competência 1

Avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Ortografia, pontuação, concordância, regência e construção sintática estão entre os aspectos considerados. “Uma redação pode ter uma boa ideia e bons argumentos, mas perder pontos quando apresenta excesso de informalidade, construções sintáticas truncadas, incompletas ou demais problemas recorrentes de sintaxe. Por isso, a revisão é uma etapa importante da escrita”, afirma Silvia Maria Brandão.

Competência 2

Avalia a compreensão da proposta de redação e o desenvolvimento do texto dentro do modelo dissertativo-argumentativo, além do uso de repertório sociocultural. A cartilha reforça a importância de utilizar referências que estejam efetivamente relacionadas ao tema e contribuam para a construção do argumento.

“O repertório não deve aparecer apenas para mostrar que o estudante conhece determinado autor, obra ou conceito. Ele precisa cumprir uma função dentro do raciocínio argumentativo. Uma referência sociocultural relacionada ao tema, bem explicada e diretamente relacionada ao argumento configura pertinência e é mais produtivo do que uma citação sofisticada utilizada de maneira superficial”, explica a especialista.

Competência 3

Avalia a seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do ponto de vista. Nesse aspecto, o planejamento antes da escrita pode fazer diferença. “Antes de começar a escrever, vale responder: qual é a minha tese? Quais são os dois principais argumentos que vou utilizar? E como cada um deles contribui para defender meu ponto de vista? Esse planejamento reduz bastante o risco de o texto ficar repetitivo ou perder o foco”, orienta Silvia Maria Brandão.

Estudantes concentrados a realizar uma prova numa sala de aula, com uma jovem em primeiro plano a escrever no papel com uma caneta
A Competência 4 avalia como as ideias são conectadas e desenvolvidas ao longo do texto (Imagem: Gorgev – Shutterstock)

Competência 4

Considera a forma como as ideias são articuladas no texto, incluindo o uso de mecanismos de coesão. Para Silvia Maria Brandão, o cuidado não deve se limitar à escolha de conectivos. “Não basta colocar ‘ademais’, ‘portanto’ ou ‘por conseguinte’ no início dos parágrafos, ainda que isso seja importante. No entanto, o conectivo precisa expressar a relação que realmente existe entre as ideias. Coesão é fazer o texto avançar de forma interconectada e compreensível para quem está lendo”.

Competência 5

Avalia a proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. A proposta deve apresentar elementos como ação, agente, meio ou modo, efeito ou finalidade e detalhamento. “Um erro comum é terminar a redação apenas dizendo que o problema precisa ser resolvido. O estudante precisa apresentar uma intervenção concreta, deixando claro o que deve ser feito, quem pode realizar a ação, como ela pode acontecer e qual resultado se espera, além de trazer detalhamento de um desses elementos”, explica.

O que priorizar nos últimos estudos para a redação do Enem?

Com a prova se aproximando, Silvia Maria Brandão recomenda que os estudantes concentrem os últimos estudos em cinco pontos:

  1. Leia a proposta integralmente: identifique exatamente qual é o tema e qual recorte está sendo solicitado;
  2. Planeje antes de escrever: defina tese, argumentos e a relação entre eles antes de passar para a versão final;
  3. Use repertório de forma pertinente e produtiva: não basta citar, é necessário explicar a relação da referência com o argumento;
  4. Revise a coesão: verifique se os parágrafos estão conectados e se os conectivos expressam corretamente a relação entre as ideias;
  5. Confira a proposta de intervenção: certifique-se de que a solução está relacionada ao problema e apresenta ação, agente, meio, finalidade e detalhamento.

“A melhor estratégia na reta final não é tentar decorar dezenas de citações ou modelos. É praticar a leitura da proposta, o planejamento do texto e a revisão. Quanto mais consciente for o processo de escrita, menor a chance de o estudante perder pontos por erros que podem ser evitados”, conclui Silvia Maria Brandão.

Por Bianca Lodi