Cabelo mais fino após os 35 anos: envelhecimento ou alteração hormonal? Entenda

Perceber que o cabelo já não apresenta o mesmo volume de alguns anos atrás é uma queixa comum entre as mulheres. Fios mais finos, redução da densidade capilar e maior dificuldade para manter o volume dos penteados podem começar a chamar atenção a partir dos 35 anos.

Segundo a médica tricologista Dra. Márcia San Juan Dertkigil, o afinamento capilar pode ter diferentes causas e nem sempre está relacionado exclusivamente à idade. “Com o passar dos anos, os cabelos podem apresentar mudanças na espessura, na densidade e no ciclo de crescimento. Entretanto, quando esse afinamento se torna perceptível, é importante investigar, porque alterações hormonais, predisposição genética e questões nutricionais também podem estar envolvidas”, explica.

Envelhecimento capilar

Assim como a pele, os cabelos também passam por transformações ao longo da vida. O envelhecimento pode influenciar o funcionamento dos folículos capilares, modificar o ciclo de crescimento dos fios e contribuir para alterações na densidade.

Entretanto, não existe uma idade exata em que essas mudanças começam a acontecer. Algumas mulheres percebem diferenças ainda na faixa dos 30 anos, enquanto outras mantêm características capilares semelhantes por décadas.

“O envelhecimento capilar não acontece da mesma maneira para todas as pessoas. A genética exerce uma influência importante, assim como as condições de saúde e os hábitos individuais. Por isso, não podemos considerar todo afinamento dos cabelos depois dos 35 anos como algo simplesmente natural”, destaca a médica.

Alterações hormonais podem estar por trás do afinamento?

Os hormônios desempenham um papel importante no ciclo de crescimento capilar. Mudanças nos níveis de estrogênio e na ação dos andrógenos podem influenciar a saúde dos fios, especialmente em mulheres geneticamente predispostas à perda de densidade. Durante a transição para a menopausa, por exemplo, as oscilações hormonais podem contribuir para mudanças na qualidade e na quantidade dos cabelos. No entanto, o afinamento também pode ocorrer antes desse período.

Alterações da tireoide e condições associadas ao excesso de andrógenos, como a síndrome dos ovários policísticos, também podem estar relacionadas a queixas capilares. “Quando uma mulher percebe que o cabelo está ficando progressivamente mais fino, principalmente na região superior da cabeça ou na linha da divisão dos fios, precisamos avaliar a possibilidade de alopecia de padrão feminino. Essa condição pode ter influência genética e hormonal e não deve ser confundida automaticamente com o envelhecimento”, esclarece a tricologista.

Diferenciando o envelhecimento natural de um problema capilar

Uma das principais diferenças está na forma como as alterações aparecem e evoluem. Mudanças discretas e graduais podem ocorrer com o envelhecimento. Por outro lado, a redução progressiva da densidade, o alargamento da risca central e a maior visibilidade do couro cabeludo podem indicar condições que merecem investigação.

Outro ponto importante é diferenciar a queda de cabelo do afinamento dos fios. Enquanto a queda envolve o desprendimento dos cabelos, o afinamento pode acontecer por um processo chamado miniaturização folicular, no qual os fios passam a nascer progressivamente mais finos.

“Nem sempre a paciente percebe uma quantidade maior de cabelos caindo durante o banho ou ao pentear. Em muitos casos, a principal queixa é que o cabelo perdeu volume, o rabo de cavalo ficou mais fino ou o couro cabeludo começou a aparecer. Esses sinais também merecem atenção”, explica a Dra. Márcia San Juan Dertkigil.

Imagem de uma médica vestindo jaleco branco, camisa azul-clara, luvas e estetoscópio, examinando o couro cabeludo de uma mulher com cabelos longos e loiros. A profissional sorri enquanto separa delicadamente os fios de cabelo da paciente, que está sentada e olha para a frente.
Mudanças na alimentação, perda significativa de peso, doenças recentes e situações de estresse podem estar relacionadas às alterações capilares (Imagem: New Africa – Shutterstock)

Estresse e alimentação também podem influenciar

Além das alterações hormonais e da predisposição genética, fatores relacionados à saúde geral podem contribuir para mudanças capilares. Deficiências nutricionais, especialmente de ferro e proteínas, dietas muito restritivas, emagrecimento acelerado e períodos de estresse físico ou emocional intenso podem interferir no ciclo de crescimento dos fios.

Nessas situações, pode ocorrer o chamado eflúvio telógeno, caracterizado pelo aumento da queda capilar, geralmente algumas semanas ou meses após um fator desencadeante. “É importante avaliar o contexto completo da paciente. Mudanças na alimentação, perda significativa de peso, doenças recentes e situações de estresse podem estar relacionadas às alterações capilares. Muitas vezes, mais de um fator está presente ao mesmo tempo”, ressalta a especialista.

É possível recuperar a espessura e o volume dos cabelos?

A possibilidade de recuperação depende da causa do afinamento e do estágio em que o problema é identificado. Quando a alteração está relacionada a fatores reversíveis, como determinadas deficiências nutricionais ou alterações hormonais tratáveis, a correção da causa pode favorecer a recuperação capilar.

Em condições como a alopecia de padrão feminino, o acompanhamento médico pode ajudar a controlar a progressão e melhorar a densidade dos fios, embora os resultados variem conforme cada caso. A investigação pode incluir avaliação clínica, exame do couro cabeludo por tricoscopia e exames laboratoriais específicos, quando indicados.

“Quanto mais cedo identificamos a causa do afinamento, maiores são as possibilidades de preservar os fios e estabelecer uma estratégia de tratamento adequada. Não existe uma solução única, porque cada paciente apresenta características e necessidades diferentes”, afirma a médica.

Saiba quando procurar um especialista

A redução progressiva do volume, o aumento da visibilidade do couro cabeludo, o alargamento da risca central e as mudanças persistentes na espessura dos fios são sinais que justificam uma avaliação. A Dra. Márcia San Juan Dertkigil reforça que essas alterações não devem ser tratadas apenas como uma questão estética ou uma consequência inevitável da idade.

“É importante que as mulheres entendam que envelhecer não significa necessariamente perder cabelo. O afinamento pode ser multifatorial e, em muitos casos, existem possibilidades de tratamento. O fundamental é não normalizar mudanças importantes sem investigar o que está acontecendo com a saúde capilar”, conclui a tricologista.

Por Daiane Bombarda