Os pica-paus são aves pertencentes à família Picidae e facilmente reconhecidas pelo hábito de bater o bico contra troncos de árvores. Encontrados em diferentes regiões do mundo, eles apresentam grande diversidade de tamanhos, cores e comportamentos. Apesar das diferenças entre as espécies, muitas compartilham adaptações que permitem escalar superfícies verticais, procurar alimento na madeira e construir cavidades para se abrigar e reproduzir.
O pica-pau também ganhou espaço na cultura popular. A ave inspirou animações e ficou especialmente conhecida por meio do desenho do “Pica-Pau”, personagem famoso por sua risada e personalidade irreverente, produzido pelo estúdio de Walter Lantz e distribuído pela Universal Pictures.
Na vida real, porém, esses animais conseguem ser ainda mais interessantes. Abaixo, conheça algumas curiosidades sobre o pica-pau!
1. O bico funciona como uma poderosa ferramenta
Uma das características mais conhecidas do pica-pau é a capacidade de golpear a madeira repetidamente com o bico. Esse comportamento não acontece apenas para procurar comida. Dependendo da situação, a ave pode escavar o tronco para alcançar insetos escondidos, abrir uma cavidade para construir o ninho ou produzir sons usados na comunicação. Algumas espécies preferem árvores mortas ou partes da madeira enfraquecidas pela decomposição, que oferecem menor resistência à escavação.
2. A cabeça é adaptada para suportar as bicadas
Bater repetidamente a cabeça contra uma superfície dura parece algo bastante arriscado, mas o organismo do pica-pau apresenta adaptações que permitem realizar esse comportamento. A anatomia do crânio, o pequeno tamanho do cérebro e a maneira como as forças produzidas durante os impactos são distribuídas ajudam a ave a lidar com as bicadas. Além disso, o contato entre o bico e a madeira acontece durante um intervalo extremamente curto. Essas características possibilitam executar movimentos repetitivos que seriam perigosos para muitos outros animais.
3. A língua pode alcançar lugares onde o bico não chega
O bico abre o caminho, mas é a língua que ajuda muitas espécies de pica-pau a retirar o alimento de pequenas galerias na madeira. Em diversos representantes da família, ela é longa e sustentada por estruturas chamadas ossos hioides, que se prolongam ao redor da parte posterior do crânio. Depois de encontrar o túnel deixado por um inseto, a ave consegue introduzir a língua profundamente na abertura para alcançar a presa.

4. Os pés ajudam a ave a permanecer na vertical
Enquanto muitas aves possuem três dedos direcionados para a frente e um para trás, grande parte dos pica-paus apresenta uma disposição diferente. Geralmente, são dois dedos voltados para a frente e dois para trás, configuração conhecida como zigodactilia. Essa estrutura oferece uma boa capacidade de agarrar superfícies e ajuda o animal a permanecer preso aos troncos enquanto sobe pela árvore ou procura alimento.
5. Nem toda batida no tronco serve para procurar comida
Ao ouvir um pica-pau batendo rapidamente contra uma árvore, é comum imaginar que ele esteja tentando encontrar insetos. No entanto, algumas sequências de batidas têm outra função. O chamado “tamborilar” é utilizado como forma de comunicação, inclusive para marcar território e atrair parceiros. Para produzir um som mais intenso, a ave pode escolher superfícies que ofereçam boa ressonância, como troncos ocos. Algumas chegam a tamborilar em estruturas feitas pelo ser humano.
6. Eles não comem somente insetos
Embora sejam famosos por retirar insetos e larvas da madeira, os pica-paus não apresentam exatamente a mesma alimentação. A dieta varia conforme a espécie, a região e os recursos disponíveis no ambiente. Alguns consomem sementes, frutos e seiva, enquanto outros são mais especializados na captura de pequenos animais.
7. Os pica-paus constroem casas que depois servem para outros animais
Para se reproduzir, muitas espécies escavam cavidades em árvores, criando espaços protegidos para colocar os ovos e cuidar dos filhotes. Quando esses ninhos deixam de ser utilizados, porém, eles não necessariamente ficam vazios. Outras aves e até pequenos mamíferos podem ocupar as cavidades abandonadas, especialmente espécies que precisam desses abrigos, mas não conseguem escavá-los por conta própria.
