Quer melhorar a redação para o Enem 2026? Veja 5 estratégias

Com menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os estudantes entram na reta final de preparação para uma das etapas mais importantes do processo seletivo. Nesse período, mais do que aumentar a quantidade de horas de estudo, é importante direcionar os esforços para os principais pontos de dificuldade e aprimorar estratégias que serão colocadas em prática no dia da prova.

Entre os principais desafios está a redação, que exige do candidato domínio da norma-padrão, capacidade de compreender a proposta, organização das ideias, construção de argumentos e mobilização de repertório sociocultural. Por isso, nas últimas semanas antes do exame, a prática precisa ir além da produção textual. É preciso que esteja acompanhada de análise e correção dos textos produzidos.

Como integrar conhecimentos e aprender com os próprios erros?

Para Daniela Toffoli, professora de Redação do Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School e do Colégio Anglo São Paulo, a preparação para a redação não deve acontecer de maneira isolada. Os conhecimentos adquiridos em outras disciplinas podem contribuir diretamente para a construção de argumentos, desde que o estudante saiba relacioná-los ao tema proposto.

“Na reta final, o aluno não precisa necessariamente acumular cada vez mais repertórios. O mais importante é saber mobilizar aqueles que já domina, compreender como eles podem ser relacionados a diferentes temas e, principalmente, transformar conhecimento em argumento”, explica Daniela Toffoli.

Segundo a professora, outro ponto fundamental é estabelecer uma rotina que permita escrever, receber a correção e voltar aos próprios erros. A partir dessa dinâmica, o estudante consegue identificar padrões de dificuldade e direcionar os estudos para as competências em que apresenta maior dificuldade.

Orientações para pontuar na prova

Para um estudo direcionado nas próximas semanas, Daniela Toffoli aponta cinco estratégias para garantir a excelência na redação. Confira:

1. Escreva uma redação completa por semana

Para a especialista, escrever apenas uma redação semanalmente, controlando o tempo, pode ser uma ação eficiente. Daniela Toffoli explica que dedicar tempo a apenas uma redação permite que o estudante se concentre nas demais dificuldades sem perder o ritmo de escrita adquirido ao longo do ano, além de evitar a exaustão

Também é fundamental cronometrar o tempo de escrita, pois no dia da prova as horas deverão ser divididas entre a redação e a resolução das questões de Linguagens e Ciências Humanas, além do tempo de revisão e preenchimento do gabarito. Por isso, ter esse controle ajuda a manter a calma durante o exame.

2. Mantenha a correção em dia

Além do tempo para escrita, o vestibulando também deve reservar o momento de revisão e correção. Para Daniela Toffoli, estudar a partir dos próprios erros e acertos é o caminho mais eficaz para a melhoria constante e progressiva.

“O que faz diferença não é a quantidade de textos, mas sim o que o aluno faz com a correção. Recomendo que ele leia o comentário do corretor em cada competência e levante três questões: qual foi o erro, porque ele aconteceu e como evitá-lo no próximo texto”, indica.

Outro fator que pode ajudar a identificar erros contantes é anotar o que foi pontuado como ponto fraco desde a primeira redação escrita. Segundo a professora, essa estratégia ajuda a identificar se foram apenas meros deslizes ou se são recorrentes, assim, o jovem pode concentrar seus estudos de maneira direcionada.

Mulher jovem usando óculos e camisa rosa-escuro, concentrada escrevendo em uma folha numa mesa com papéis amassados
Testar seus repertórios mais sólidos favorece a profundidade na base argumentativa (Imagem: Cast Of Thousands – Shutterstock)

3. Trabalhe o repertório em contextos diferentes

Para Daniela Toffoli, a busca de repertório, nesse período do ano, deve ser voltada para temas que passaram pelo debate público recentemente, além de questões sociais vigentes, que podem ajudar na construção de uma base argumentativa sólida. Entretanto, o Enem não possui histórico de trazer assuntos polêmicos e que estão sendo foco na mídia. Também é válido se aprofundar em Filosofia e Sociologia, por serem disciplinas que buscam analisar e compreender questões sociais e da natureza humana.

Autores como Zygmunt Bauman, Hannah Arendt, Byung-Chul Han e Djamila Ribeiro podem ser estratégicos. Para além disso, a orientação dada é que o aluno teste os seus repertórios mais sólidos – aqueles que o aluno possui mais domínio – em diferentes propostas de redação. Isso favorece profundidade na base argumentativa, ao invés de acúmulo de diferentes referências, mas sem saber como usar.

4. Dedique atenção especial à proposta de intervenção

Um ponto que costuma ser esquecido por muitos vestibulandos é a proposta de intervenção. Por ser na conclusão, o Enem espera que o aluno apresente uma forma de solucionar o problema apresentado, que vai além de repertório e argumento. Daniela Toffoli reforça a importância de se atentar aos pontos essenciais no último parágrafo da redação.

“Ela precisa ter agente, que é quem resolve o problema, a ação, que se refere ao que será feito, além do meio, que é por onde será resolvido, assim como também a finalidade e detalhamento da proposta. É aqui onde muitos alunos perdem pontos por descuido, não por falta de capacidade”, indica.

5. Leia textos de opinião

Para a especialista, essa estratégia ajuda o aluno a identificar, de maneira crítica, diferentes formas de argumentar com clareza, além de reunir boas referências. Vale ressaltar que a leitura deve ser feita em artigos de bons jornais, sendo uma experiência de analisar um texto com o olhar de escritor.

Por fim, Daniela Toffoli ainda reforça a importância de respeitar os limites psicológicos nessa reta final de estudos. “Chegar ao Enem descansado e com a cabeça tranquila vale tanto quanto qualquer técnica. Redação é também controle emocional”, conclui.

Por Laura Ragazzi