Infertilidade: como identificar sinais e saber quando procurar ajuda

Para muitos casais, a decisão de ter um filho vem acompanhada da expectativa de que a gravidez aconteça naturalmente em pouco tempo. Quando os meses passam sem resultado, surge a dúvida: em que momento a dificuldade para engravidar deixa de ser uma questão de tempo e passa a exigir investigação médica?

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que cerca de uma em cada seis pessoas enfrenta infertilidade ao longo da vida. Para o médico Luiz Pina, especialista em reprodução humana e endometriose da clínica Baby Center (SP) e cofundador do laboratório United Fertilidade, ter conhecimento sobre sintomas e fatores de risco pode ajudar a identificar, mas existem várias causas e sinais que indicam infertilidade.

“Na maioria das vezes, o principal sinal é justamente a gravidez que não acontece após um período adequado de tentativas. Mas alterações no ciclo menstrual, histórico de endometriose, cirurgias ou infecções pélvicas podem levantar suspeitas sobre a fertilidade feminina. No homem, histórico de alterações testiculares, cirurgias, infecções ou problemas hormonais também merece atenção”, explica.

A investigação da infertilidade deve envolver o casal

A investigação não deve ser direcionada somente à mulher. Estudos sobre o tema mostram que o fator masculino pode estar envolvido em 30% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, seja isoladamente ou em associação com fatores femininos. Entre as possíveis causas estão varicocele, alterações hormonais e genéticas, infecções, obstruções no aparelho reprodutor e alguns fatores relacionados a doenças e tratamentos prévios.

“Existe uma cultura de investigar primeiro a mulher e deixar o homem para depois, mas isso pode atrasar o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento. A avaliação deve ser feita pelo casal, muitas vezes de maneira simultânea. No homem, o espermograma costuma fazer parte da investigação inicial; na mulher, a avaliação pode envolver o histórico menstrual e reprodutivo e exames específicos de acordo com cada caso”, enfatiza o Dr. Luiz Pina.

Um casal jovem sentado num consultório médico durante uma consulta, a conversar atentamente com uma médica de bata branca que segura uma prancheta
Aguardar um ano para buscar avaliação especializada pode não ser a melhor estratégia para todos os casais (Imagem: New Africa – Shutterstock)

Quando procurar ajuda para engravidar?

Embora a marca de 12 meses de tentativa para mulheres abaixo de 35 anos e seis meses para mulheres acima dessa idade seja uma referência, não é necessário esperar esse tempo em todas as situações. Mulheres com ciclos menstruais muito irregulares ou ausentes, histórico de endometriose, alterações ovarianas ou determinadas cirurgias, por exemplo, podem fazer uma avaliação antecipada.

O mesmo vale para homens com histórico de alterações ou doenças que possam comprometer a produção ou a qualidade dos espermatozoides. “O tempo é um fator importante na reprodução humana, especialmente porque a idade feminina tem relação direta com a quantidade e a qualidade dos óvulos. Por isso, esperar um ano sem considerar o histórico individual pode não ser a melhor estratégia para todos os casais”, orienta o Dr. Luiz Pina.

Tratamentos para a infertilidade dependem da causa identificada

Outro ponto importante é que infertilidade não significa necessariamente impossibilidade definitiva de ter filhos. O tratamento é viável e depende da causa identificada e pode envolver desde mudanças de hábitos e tratamentos clínicos ou cirúrgicos até técnicas de reprodução assistida, como inseminação artificial e fertilização in vitro.

Por isso, diante de uma dificuldade persistente para engravidar, a recomendação é buscar avaliação especializada em vez de recorrer a exames ou tratamentos por conta própria – principalmente soluções caseiras que podem agravar ainda mais a condição . “O diagnóstico é o que direciona a conduta. Quanto mais individualizada for a investigação, maiores são as chances de encontrar o caminho adequado para engravidar aquele casal”, finaliza o médico.

Por Vitória Rodrigues