Gestão comportamental: como implementar na sua empresa

Se você está procurando aperfeiçoar o setor de RH da sua organização, precisa entender como funciona a gestão comportamental

Cada vez mais as corporações têm adotado diferentes práticas para estimular a inovação e um ambiente mais produtivo. A gestão comportamental e o mapeamento de perfil comportamental são ferramentas que têm sido muito adotadas por setores de recursos humanos com este objetivo. Além de reduzirem a rotatividade, essas técnicas trazem maior qualidade de vida e produtividade para os colaboradores da empresa, características essenciais para um ambiente de trabalho estimulante.

O que é gestão comportamental?

Embasada na Análise do Comportamento, nos estudos de Abraham Maslow e Frederick Herzberg, a gestão comportamental tornou-se um mecanismo importante, com várias técnicas construídas a partir de conceitos científicos, o que lhe dá maior confiabilidade.

Conhecer um pouco mais da gestão comportamental vai ajudar você a promover estratégias para melhorar seu ambiente organizacional, tanto nas relações interpessoais quanto na motivação e avaliação da equipe.

Conheça a teoria da gestão comportamental

A teoria da Gestão Comportamental nasceu nos Estados Unidos nos anos 50, e tem como fundamento a ênfase nas pessoas e seus comportamentos. Mas, antes de prosseguirmos, é preciso falar pouco sobre as teorias da administração.

Nas ideias da teoria Clássica, a administração é fundamentada em vários pilares, como a divisão do trabalho, subordinação do funcionário ao superior, um núcleo de comando único para a empresa, estabilidade da mão de obra e espírito de equipe. Já a Administração Científica se caracteriza pelo fato da gerência operar com a concepção do trabalho e os colaboradores com sua execução, sendo que estas funções não podem se misturar.

Há também a teoria das Relações Humanas, preocupada com as pessoas, valorizando suas necessidades psicológicas. Nela, a influência do grupo sobre o operário é o principal determinante da produtividade. Assim, a empresa passa a ser vista como o local que deve dar segurança, apoio emocional e compreensão para os trabalhadores.

Dentro desse contexto, a teoria da gestão comportamental vai focar os problemas organizacionais a partir da perspectiva das ciências comportamentais. Entre os seus pilares estão os estudos sobre a motivação do comportamento e o enfoque individual. Para compreender a motivação, esta teoria tem como pilares os conhecimentos construídos pelos estudiosos Maslow e Herzberg.

Para Maslow, o ser humano apresenta uma hierarquia de necessidades disposta em pirâmide. Na base dela estão as carências fisiológicas e de segurança e na parte superior estão as necessidades sociais, de estima e de autorrealização. É preciso atender primeiro as necessidades básicas para que surjam as demandas superiores.

Já a teoria de Herzberg,  que aborda a situação de motivação e satisfação das pessoas, considera fatores que direcionam o comportamento dos indivíduos. São os fatores relacionados ao ambiente e os fatores motivacionais, ligados às tarefas desempenhadas.

Além das referências de Maslow e Herzberg, a teoria da Gestão Comportamental se enraíza nos princípios da Análise do Comportamento, uma abordagem psicológica, sendo, desta forma, bem diferente das outras teorias organizacionais, que possuem base na administração principalmente.

Vantagens da gestão e mapeamento do perfil comportamental

A gestão comportamental funciona a partir da aplicação de métodos da análise do comportamento dentro da empresa para promover melhorias no ambiente e na atuação da organização. O foco de trabalho da gestão comportamental sempre será nas pessoas, estabelecendo diferenças entre as lideranças e os funcionários.

Tratam-se das questões relacionadas a esses papéis na empresa, às responsabilidades de cada um e o cumprimento ou não desses compromissos. Os gestores trabalham com os líderes a decisão, valores e comunicação em equipe. E com os trabalhadores discutem ideias sobre a relação com os semelhantes e o cumprimento das normas, tarefas e da conduta adequada.

O trabalho com o comportamento correto envolve estimular a observação mútua. O olhar do outro incentiva o funcionário a agir de forma correta. Sentir-se aprovado e aceito é muito positivo e ajuda a boa conduta a se tornar um hábito. Este reforço positivo é uma ferramenta muito importante da gestão comportamental por ser uma boa maneira de instalar comportamentos desejáveis no repertório de ação de cada funcionário.

É bom lembrar que a gestão comportamental objetiva gerar equipes de alto rendimento e melhorar o desempenho da organização e que, para isso, é preciso envolvimento e participação dos membros. Os benefícios que ela pode trazer para a empresa são a melhora do diálogo entre funcionários e superiores, melhor relação entre a equipe e trabalho com problemas a partir da raiz da questão, ou seja, com a sua origem.

Se a empresa tem um clima mais saudável, o trabalho é realizado com maior eficácia e as relações com o cliente também são afetadas positivamente. A longo prazo, há mais bem-estar, empenho, dedicação e rendimento da equipe.

Além disso, o mapeamento do perfil comportamental, uma das ferramentas da gestão comportamental, é uma boa maneira de conduzir o processo de recrutamento e seleção, já que ele possibilita que já se contrate a pessoa adequada ao perfil da vaga. Ele pode ser aplicado também dentro da organização com os funcionários já pertencentes à empresa. Isso melhora a contratação e a gestão da empresa e traz economia, eficácia e praticidade.

Como implementar a gestão comportamental

A implementação da gestão comportamental na empresa envolve entrevistas e diálogos que visam conhecer os potenciais, habilidades e limitações dos funcionários, além dos conflitos enfrentados por eles no dia a dia de trabalho. A base dessa técnica é a análise de desempenho e a promoção de feedbacks honestos e regulares. O trabalho é tanto com as lideranças quanto com os liderados, e deve ser gradual, contínuo e a longo prazo.

A análise funcional é uma ferramenta importante e inclui a seleção de aspectos a serem observados, como os comportamentos críticos na organização, por exemplo, seus antecedentes, consequências e frequência. Além disso, é preciso sugerir soluções para melhorias nessas ações.

A técnica STAR

A entrevista comportamental é muito importante na gestão comportamental. Com o uso da técnica STAR, por exemplo, é possível conhecer como o sujeito se saiu em determinadas situações em um trabalho ou evento específico. STAR é uma sigla em que “S” refere-se a situação vivida, o “T” à tarefa, “A” à atitude da pessoa e “R” ao resultado.

O princípio dessa técnica é de que, sabendo como alguém agiu em uma situação problemática, será possível conhecer suas competências, ver como ele reage a frustrações e desafios, como lida com dificuldades e prever o seu comportamento em outras ocasiões.

Estímulo à cooperação

Também é necessário trabalhar com a gestão das tensões emocionais na empresa. Esse processo passa pela conscientização do estado emocional, expressão saudável e funcional, controle de emoções prejudiciais à realização de tarefas e busca de meios para solucionar o problema.

O estímulo à cooperação entre os trabalhadores e a promoção de diálogos entre eles é importante para evitar desgastes nas relações, o que pode prejudicar a produtividade.

O trabalho com a motivação dos profissionais é muito importante, pois são eles que mobilizam a empresa e a fazem funcionar. Criar um ambiente mais descontraído, com abertura para falar sobre o trabalho e a organização e conscientizar o funcionário da importância de seu papel na empresa são boas maneiras de ajudar a manter a motivação.

Criar eventos que envolvam dinâmicas e diversão para os funcionários é uma boa maneira de envolver mais a equipe e criar um ambiente mais leve, criativo e produtivo.

Mapeamento do perfil comportamental

Outra boa ferramenta da gestão é o mapeamento do perfil comportamental. Conhecendo os gostos, preferências e hábitos da pessoa, é possível encaixá-la em um perfil que tem mais a ver com suas características.

Cada perfil reúne um conjunto de características em comum. A ideia é saber mais sobre o trabalhador e promover o autoconhecimento. A partir daí, encontrar o perfil do profissional e colocá-lo em posições na empresa que sejam correspondentes às suas características.

É bom ressaltar que o propósito não é rotular, mas sim tentar acomodar a pessoa em um perfil de predominância de comportamento para planejar uma ação mais eficiente. Esta ferramenta vem sendo muito efetiva no recrutamento e seleção para possibilitar contratações de pessoas com perfil mais adequado ao cargo. Algumas empresas trabalham com metodologia DISC (Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade), que também é um tipo de mapeamento de perfil comportamental, mas que tem algumas diferenças.

Gestão por competências

Outra técnica que vem ganhando espaço no mercado de trabalho é a gestão por competências. Ela é composta pelo CHA, ou Conhecimentos, Habilidades e Atitudes demandados nas ações de trabalho. A gestão por competências é realizada através de um mapeamento que separa as habilidades mais importantes para cada cargo e para a organização como um todo, investigando as competências dos funcionários e alocando os trabalhadores dentro de grupos de habilidades parecidas.

Nesse agrupamento, também é possível usar o perfil comportamental. É preciso também avaliar de forma constante as competências e a adequação dos trabalhadores na alocação, além de realizar capacitações, treinamentos e promover incentivos.

Avaliação de resultados

A avaliação do desempenho é o processo de rever a performance de cada funcionário no trabalho, analisando condutas, percebendo acertos e erros e procurando as possíveis causas para problemas na organização. A comparação entre o comportamento real e o ideal para o cargo auxilia nessa avaliação.

A avaliação do desempenho pode ser realizada de forma coletiva ou individual. Antigamente, era comum que o feedback fosse dado apenas pelo gestor. No modelo bilateral, por exemplo, chefe e funcionário discutem os aspectos positivos e negativos do desempenho no trabalho.

Já no modelo de 360º, o feedback sobre o trabalho é realizado a partir de várias fontes, como outros funcionários, clientes e supervisores. A avaliação pode ser realizada também pela equipe de RH. Esse processo é interessante por conscientizar o empregado da opinião sobre o seu trabalho, o que traz mais segurança e comprometimento com os ideais da organização.

A satisfação da equipe pode ser avaliada, por exemplo, através de questionários anônimos. É importante haver perguntas sobre as estratégias de trabalho, a postura e o relacionamento com colegas, o desempenho das lideranças, satisfação com relação aos benefícios (auxílio de saúde, transporte, alimentação, bonificações etc.) e possibilidade de ascensão na empresa. É indispensável que a linguagem dos questionários seja fácil e acessível, o que ajuda o funcionário a se sentir mais à vontade para responder.

Quando se aplicam estratégias comportamentais para promover melhorias na empresa, é importante realizar esse tipo de avaliação com a equipe, para saber mais sobre eles pensaram sobre a mudança. Outra ferramenta que pode ser utilizada são as escalas de satisfação no trabalho, que devem ser aplicadas especificamente pelos psicólogos da empresa.

A avaliação da motivação também pode ser feita através de questionários. Se for viável, conversar com alguns membros da equipe, dialogar e questionar sobre a motivação e fatores que a afetam no trabalho também é uma boa maneira de conhecer mais sobre essa importante dimensão da empresa. Da mesma forma, a avaliação da produtividade e da qualidade do trabalho pode se basear principalmente no feedback do cliente e na contabilização de melhorias ou decréscimos nos lucros.

A gestão comportamental tem muito a oferecer em métodos e técnicas para auxiliar no crescimento das organizações. Através do mapeamento de perfil comportamental, entrevista comportamental e a gestão por competências, é possível gerar melhorias na interação do funcionário com o seu trabalho e com outros membros da equipe, além de realizar recrutamento e seleção de forma mais eficiente, trazendo melhorias a longo prazo.

Além destas vantagens, ela promove processos de avaliação de desempenho e da empresa, um passo importante para se reconhecer aspectos positivos e negativos do trabalho e, a partir daí, produzir estratégias de intervenção. Tudo isso faz da gestão comportamental uma ferramenta fundamental para a abertura de mais possibilidades e otimização do trabalho nas empresas.

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