5 destaques da palestra da ganhadora do Nobel, Malala, no Brasil

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A ativista paquistanesa e vencedora do Nobel da Paz anunciou investimento em projetos brasileiros em prol da educação – “Educação é a única solução”.

Em 9 de outubro de 2012, membros do Talibã atacaram a tiros um ônibus que levava meninas para casa depois de mais um dia de aula, em Swat, uma região ultraconservadora no norte do Paquistão. O alvo era uma das estudantes, Malala Yousafzai, que então tinha 15 anos e defendia publicamente o direito à educação para as meninas.

Baleada na cabeça, Malala sobreviveu ao atentado. Ela foi retirada do país com sua família e levada ao Reino Unido. Os médicos conseguiram retirar a bala de seu cérebro e, depois de se recuperar, Malala pode retornar à escola, concluir o colegial e começar a faculdade. Atualmente, ela estuda filosofia, política e economia em Oxford.

Notoriedade mundial

A paquistanesa foi a pessoa mais jovem da história a receber um Nobel. A jovem foi escolhida pelo comitê organizador em 2014, quando tinha 17 anos, e dividiu o prêmio com o indiano Kailash Satyarthi. De acordo com o comitê, ambos foram premiados “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”.

Malala também já discursou na ONU, onde destacou a educação:

“Nossos livros e nossos lápis são nossas melhores armas. A educação é a única solução, a educação em primeiro lugar.”, afirmou.

Palestra em São Paulo

A ativista paquistanesa esteve pela primeira vez no Brasil e palestrou no Auditório Ibirapuera na última segunda-feira (09/07). A Malala Fund, organização sem fins lucrativos para promover a educação às meninas, atua no Afeganistão, na Índia, no Líbano, na Nigéria, no Paquistão, na Turquia e anuncia expansão pela América Latina.

Confira 5 pontos de destaque na palestra de Malala Yousafzai:

Importância da família no incentivo ao estudo

Em relação a importância dos estudos, a paquistanesa destacou que “o papel dos pais e das mães é fundamental”. Para exemplificar, compartilhou uma situação de quando era aluna em seu país: uma colega da escola chegou atrasada para a aula porque precisava esperar que seus pais saíssem de casa para poder ir estudar, escondida.

Malala conta que outras amigas de sua classe também defendiam a educação feminina. No entanto, a diferença era que seus pais a apoiavam.

“Havia muitas meninas da minha turma que queriam levantar suas vozes pela educação. Eu não tinha nada de especial nem era mais inteligente do que qualquer garota do Vale do Swat [Paquistão]. Mas a minha diferença é que meu pai não me impediu de continuar. Meu pai foi um homem que quebrou barreiras por me deixar estudar”, disse.

“Quando você fala com raiva e violência, a mensagem é perdida”

Quando questionada se gostaria de se vingar dos homens que realizaram o atentado contra ela, a jovem de 21 anos respondeu que “a melhor maneira de me ‘vingar’ é pela educação, educar todas as crianças do mundo, inclusive filhos e filhas dos que me atacaram. E de alguma maneira estamos conseguindo”.

“Eu não sinto raiva. Quando você fala com raiva e violência, a mensagem é perdida. Uma mensagem pacífica tem um poder oculto. Quando você converte a energia da raiva em energia positiva ninguém pode te ignorar”, completou ela,.

“Sei que às vezes existe raiva ou falta de esperança, mas a sua luta e o seu ativismo têm o poder de fazer mudanças. Vocês não devem esperar que alguém fale por vocês. Vocês sempre têm de erguer suas vozes”, incentivou.

Educação e emancipação feminina

Para Malala, a educação das mulheres transforma o mundo e os homens também são responsáveis por uma sociedade igualitária. “Fui um alvo [do Talibã] porque eles entenderam que o empoderamento feminino vinha da educação, que tem a ver com emancipação”, falou.

“Trata-se não só de aumentar o conhecimento das mulheres, mas também crescer economias, fortalecer democracias e dar estabilidade aos países. A educação é o melhor investimento sustentável a longo prazo“, concluiu.

Diversidade nas escolas

“Eu acho que diversidade é uma coisa extremamente importante, para mim significa beleza e traz beleza ao nosso ambiente, ao nosso país e às escolas que a celebram. É muito importante você celebrar a diversidade sempre, seja onde for, na TV, nas empresas…”, ressaltou.

Toda a população precisa receber oportunidades iguais, principalmente na escola. É importante que as crianças saibam pelos livros e professores que têm oportunidades iguais para todo mundo, que ter a cor diferente ou a religião diferente não significa que não podem ter as mesmas metas”, respondeu a paquistanesa.

Ativistas locais e investimento em projetos brasileiros

“Recebi muitas cartas de apoio e mensagens do Brasil, pedindo que eu um dia viesse aqui. Este país tem uma grande energia que emana dos jovens, e minha esperança é encontrarmos maneiras de todas as meninas daqui terem acesso à educação, sobretudo de comunidades afrodescendentes e indígenas”, pontuou a ativista mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Segundo ela, os ativistas locais são importantes para a construção de soluções dos problemas da educação em regiões menos favorecidas. São com essas pessoas que Malala quer trabalhar para integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Malala Fund.

Serão investidos US$ 700 mil em projetos de três mulheres ativistas em prol da educação no Brasil: Sylvia Siqueira Campos, presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), de Recife (PE); Ana Paula Ferreira de Lima (BA) uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí); e Denise Carreira, coordenadora adjunta da Ação Educativa, em São Paulo (SP).

Assista a entrevista realizada em 2015 pela atriz Emma Watson, em que Malala fala do poder de mudança da educação: